— ensaio —

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Há um poder silencioso em pegar a estrada.

Não falo apenas do ato de sair de um lugar e chegar em outro. Isso qualquer meio de transporte faz. Um avião faz isso mais rápido. Um ônibus faz isso com menos responsabilidade. Um aplicativo de mapa faz parecer que tudo se resume a distância, tempo estimado, pedágio, combustível e rota.

Mas a estrada, quando atravessada de carro, tem outra natureza.

Ela não apenas transporta. Ela processa.

Existe um tipo de deslocamento que começa no corpo, passa pelas mãos no volante, atravessa a paisagem e, quando a gente percebe, já chegou em alguma camada profunda da vida. O carro segue adiante, o asfalto corre por baixo, a música toca até cansar, o sol muda de posição, a luz muda de cor, o cansaço muda de textura. E, no meio desse movimento contínuo, algo dentro da gente começa a se reorganizar.

Minha jornada do Rio Grande do Norte a São Paulo não foi apenas geográfica. Foi existencial.

Eu vinha de um 2024 vivido em movimento pelo Nordeste. Um ano de praias, cidades, estradas, encontros, despedidas, descobertas e experiências que, muitas vezes, pareciam grandes demais para serem compreendidas no momento em que aconteciam. Antes disso, havia um 2023 de ruptura, complicação e rearranjo. Um daqueles anos em que a vida não pede licença para desmontar certas estruturas. Ela simplesmente desmonta.

E, à frente, havia 2025.

Mas naquele momento eu ainda não sabia o que 2025 seria. Hoje, olhando depois, consigo dizer que foi quase um nigredo: um ano de decomposição, sombra, desconstrução, matéria escura sendo mexida por dentro. Mas, quando eu estava na estrada, isso ainda não tinha nome. Era apenas uma sensação. Um pressentimento. A impressão de que eu estava saindo de um ciclo, mas ainda não sabia exatamente em qual outro estava entrando.

A estrada apareceu entre esses tempos.

Não como intervalo.

Como passagem.

Quando viajamos de avião, subimos em um lugar e descemos em outro. O corpo chega rápido, mas a alma, às vezes, demora. A mudança acontece sem duração suficiente para ser assimilada. A paisagem desaparece embaixo das nuvens e, quando percebemos, já estamos em outro aeroporto, outra cidade, outra temperatura, tentando agir como se tudo dentro de nós tivesse chegado junto.

Mas nem sempre chega.

Às vezes, o corpo pousa e a vida continua em trânsito.

De carro é diferente.

A estrada dá tempo.

Tempo para o corpo entender a distância. Tempo para a mente voltar aos lugares que ficaram. Tempo para a memória se organizar sem pressa. Tempo para as coisas que aconteceram deixarem de ser apenas acontecimentos e começarem a virar experiência.

Quilômetro depois de quilômetro, a gente vai deixando de apenas se deslocar e começa a metabolizar a própria vida.

Grande parte daquela viagem foi isso: eu comigo mesmo.

Eu dirigindo. Eu ouvindo música. Eu repetindo músicas. Eu cansando das músicas. Eu ficando em silêncio. Eu conversando sozinho. Eu lembrando de pessoas, lugares, escolhas, erros, conquistas, promessas antigas e versões minhas que já não cabiam exatamente em mim.

Há um momento em que a estrada fica quase sem assunto.

E é aí que ela começa a trabalhar.

No começo, a gente tenta preencher o tempo. Coloca uma playlist, um podcast, uma música que combina com a paisagem, uma música que combina com a dor, uma música que combina com a ideia que temos de nós mesmos atravessando o Brasil como personagem de alguma coisa. Mas depois de muitas horas, tudo isso cansa. A música cansa. A própria narrativa cansa. Até a beleza cansa.

E quando tudo cansa, sobra alguma coisa mais verdadeira.

Sobra o volante.
Sobra a respiração.
Sobra o corpo cansado.
Sobra o horizonte.
Sobra o pensamento voltando para os mesmos lugares até encontrar uma fresta nova.

O silêncio do carro não é vazio. Ele vem cheio de perguntas.

Quem sou eu agora?

O que ficou para trás?

O que eu realmente estou levando comigo?

Em que ponto o eu do passado encontra o eu que ainda está tentando nascer?

Essas perguntas não aparecem com a mesma força quando estamos presos ao barulho cotidiano. Elas precisam de distância. Precisam de horizonte. Precisam de dias. Precisam da repetição quase hipnótica do asfalto para subir à superfície.

Era como se, ao deixar para trás o lugar onde eu estava, eu também me despedisse de uma versão de mim mesmo.

Cada curva parecia liberar uma memória. Cada quilômetro abria uma reflexão. A estrada criava um espaço raro: tempo suficiente para ouvir aquilo que a rotina costuma soterrar.

Mas uma travessia longa nunca é feita apenas de introspecção.

Ela também é feita de desvios, erros de rota, pousadas estranhas, encontros improváveis, sustos, risadas, festas inesperadas e pequenos absurdos que aparecem como se a vida dissesse: “Respira um pouco. Nem toda transformação precisa ser solene.”

Uma das cenas mais marcantes aconteceu entre Ilhéus e Arraial d’Ajuda.

Eu estava seguindo viagem quando perdi a entrada que deveria ter pegado. Era uma dessas decisões banais de estrada que parecem pequenas no momento. Você passa um acesso, olha o mapa, vê uma rota alternativa e pensa: tudo bem, dá para corrigir mais à frente.

Olhei o mapa e vi uma estrada menor, cortando caminho por uma vilazinha. Parecia simples. Parecia lógico. Parecia uma daquelas pequenas economias de tempo que o viajante acredita estar fazendo quando, na verdade, acabou de aceitar um convite do desconhecido.

Entrei.

No começo, era só uma rua seguindo até o final da cidadezinha. Depois, veio a estrada. E, quando entrei nela, percebi que havia alguma coisa diferente. O asfalto desapareceu. A estrada virou terra.

Pensei: tudo bem, deve ser só um trecho. Daqui a pouco melhora. Daqui a pouco desemboca em algum lugar.

Mas a estrada foi piorando.

E eu fui seguindo.

Tem uma teimosia estranha que aparece quando a gente já avançou demais para voltar com facilidade. No fundo, talvez eu soubesse que não era a melhor ideia continuar. Mas também havia aquela confiança meio absurda de quem olha para a frente e acredita que, se existe caminho, ele deve levar a algum lugar.

Continuei.

A terra ficou mais irregular. O sinal de celular começou a falhar. O mapa parou de recalcular. E, quando percebi, eu estava no alto de uma montanha.

Do lado direito, penhasco.
Do lado esquerdo, penhasco.
À frente, uma estrada estreita que parecia me levar para dentro de fazendas que eu não conhecia.

Era um daqueles momentos em que a aventura deixa de parecer charmosa e começa a revelar sua face real: isolamento, risco, incerteza. Não havia muita coisa a fazer além de continuar.

Em algum ponto, encontrei algumas pessoas e parei para pedir informação. A resposta veio com a tranquilidade de quem conhece o lugar, mas não necessariamente o medo de quem vem de fora:

“Segue reto, pode ir.”

Então eu segui.

Às vezes, a confiança dos outros é tudo que temos quando a nossa já começou a falhar.

Fui avançando até encontrar uma saída — que me jogou dentro do Parque Nacional do Pau Brasil. De repente, eu estava em outro tipo de silêncio. Não era mais o silêncio aberto da estrada. Era o silêncio fechado das árvores. Um bosque, uma mata, uma sequência de troncos, sombras, verde dos dois lados. Sem sinalização clara. Sem certeza. Só árvore de um lado, árvore do outro, e aquela sensação de estar sendo guiado mais por instinto do que por lógica.

Ali, a estrada deixou de ser linha e virou enigma.

Eu seguia porque parar não parecia uma opção. Seguia porque voltar talvez fosse pior. Seguia porque há momentos em que a única forma de sair de um caminho errado é atravessá-lo até ele revelar uma saída.

Um trecho depois do outro.
Uma curva depois da outra.
Uma tentativa de manter a calma depois da outra.

Até que, finalmente, caí de volta na estrada que deveria ter pego desde o início.

Quando vi a placa indicando Porto Seguro e Arraial d’Ajuda, senti um alívio quase físico. Não era apenas a alegria de ter encontrado a rota. Era a sensação de ter voltado ao mundo conhecido depois de ter atravessado, por algumas horas, uma espécie de dobra estranha da viagem.

Cheguei em Arraial sem reserva, cansado, mas inteiro.

Fiquei uma noite. Caminhei pela vila. Respirei o lugar. E entendi que algumas chegadas têm mais força justamente porque quase se perderam no caminho.

Essa cena ficou comigo porque ela dizia algo maior do que parecia. Às vezes a gente perde a entrada certa, inventa um desvio, entra numa estrada que piora, insiste, fica sem sinal, atravessa um território que não entende, pede ajuda a quem aparece, segue uma orientação incompleta, passa por dentro de uma mata e, no fim, volta para a estrada principal com uma clareza que não teria se tivesse simplesmente acertado o caminho desde o começo.

A vida faz isso também.

Nem todo desvio é erro.
Nem todo erro é desperdício.
Nem todo caminho ruim é inútil.

Alguns apenas nos obrigam a estar presentes.

Em outro trecho, já pelo Espírito Santo, parei em uma cidade que eu mal conhecia e acabei numa pousada que parecia ter pertencido a outro tempo.

Dava para sentir que aquele lugar, em algum momento, talvez tivesse sido importante. Talvez tivesse sido uma hospedagem suntuosa, referência local, cenário de casamentos, encontros, férias de família, viajantes chegando bem vestidos, recepção cheia, restaurante funcionando, piscina viva, funcionários circulando com pressa e orgulho.

Mas quando cheguei, já não era bem isso.

Havia uma beleza cansada no lugar. Uma espécie de grandeza antiga que não tinha desaparecido completamente, mas também já não se sustentava como antes. As paredes pareciam guardar memória. Os corredores tinham uma solidão própria. Era como se a pousada ainda se lembrasse de ter sido alguma coisa, mesmo que o presente já não confirmasse totalmente essa lembrança.

Fiquei ali por uma noite.

E naquela mesma noite, sem planejar, sem procurar, sem que aquilo tivesse qualquer relação com a travessia existencial que eu imaginava estar vivendo, acabei encontrando uma das manifestações mais improváveis e brasileiras possíveis: a Carreta Furacão passando pela cidade.

Aquilo era quase uma aparição.

Depois de tantos quilômetros de estrada, silêncio, reflexão, perguntas internas e cansaço acumulado, de repente eu estava diante daquele carnaval ambulante: personagens dançando, música alta, gente rindo, cidade em festa, uma alegria meio caótica e completamente brasileira atravessando a noite.

Eu subi na carreta.

Entrei na cena.

E, como se não bastasse, ainda havia um show acontecendo na cidade.

Uma noite que não existia no roteiro virou uma pequena celebração.

E talvez seja justamente por isso que ela tenha sido tão importante. Porque no meio de uma travessia longa, a gente também precisa se permitir viver o que aparece. Nem tudo precisa ser interpretado na hora. Nem tudo precisa virar metáfora imediatamente. Às vezes, a cura vem disfarçada de música alta, personagem dançando, gente desconhecida rindo junto e uma cidade qualquer oferecendo uma festa numa noite que você nem sabia que iria existir.

A estrada tem essa inteligência estranha.

Ela nos leva para dentro, mas também nos puxa para fora quando percebe que ficamos tempo demais presos nos próprios pensamentos.

Ela nos dá silêncio, mas também nos dá barulho.
Ela nos dá penhasco, mas também nos dá festa.
Ela nos dá medo, mas também nos dá riso.

E talvez uma travessia precise das duas coisas: profundidade e absurdo.

Porque ninguém se transforma apenas pensando. A gente também se transforma quando permite que a vida interrompa a nossa narrativa e nos coloque, de repente, em cima de uma carreta, rindo de algo que não fazia parte de nenhum plano.

Em outro momento, saindo do Espírito Santo em direção ao Rio de Janeiro, vi uma imagem imensa à beira do caminho.

Era um Buda gigante.

Eu estava seguindo viagem, já naquele estado mental de quem olha para a estrada como quem olha para dentro. Mas aquela imagem apareceu com uma presença impossível de ignorar. Não foi uma decisão racional. Não pensei muito. Não avaliei se valia a pena, se ia atrasar, se fazia sentido.

Eu vi.

Voltei.

Algumas paradas não são decididas pela lógica. São convocadas pela presença.

Desci, caminhei, olhei de perto. Deixei o lugar atravessar a viagem nem que fosse por alguns minutos. Depois de tantos desvios, pousadas antigas, festas inesperadas, estradas de terra, mapas falhando e perguntas internas, parar diante daquele Buda teve algo de bênção discreta.

Não uma bênção grandiosa, cinematográfica, dessas que vêm acompanhadas de revelação e música de fundo. Foi mais simples que isso. Foi uma pausa. Um respiro. Um lembrete silencioso de que seguir também exige reverência.

Há símbolos que não precisam explicar nada.

Eles apenas aparecem.

E, quando aparecem, organizam alguma coisa que estava dispersa. O Buda não me disse nada, obviamente. Mas talvez não precisasse. Sua presença bastava. A serenidade daquela imagem, ali no meio do caminho, me lembrou que a estrada não era apenas deslocamento, nem apenas aventura, nem apenas processamento psicológico. Havia também uma dimensão ritual naquilo tudo.

Eu estava atravessando o Brasil, sim.

Mas também estava atravessando uma mudança interna.

E então, com as bênçãos de Buda — ou pelo menos com a sensação simbólica de ter recebido alguma autorização silenciosa da estrada — continuei em direção ao Rio.

Essas anedotas foram alívios dentro de uma travessia maior.

Porque a maior parte da viagem não foi aventura. Foi tempo.

Tempo de volante.
Tempo de posto.
Tempo de mapa.
Tempo de estrada reta.
Tempo de estrada ruim.
Tempo de música.
Tempo sem música.
Tempo de pensamento voltando ao mesmo ponto até encontrar outro caminho.

A estrada me deu algo que eu talvez não tivesse conseguido de outro jeito: duração.

Não uma resposta imediata. Não uma revelação súbita. Mas duração suficiente para que a vida começasse a se decantar.

Essa palavra me parece importante: decantar.

Porque algumas experiências, quando acontecem, vêm misturadas demais. A gente vive, mas ainda não entende. Encontra pessoas, mas ainda não sabe o lugar que elas terão na nossa memória. Passa por cidades, mas ainda não sabe o que elas moveram. Faz escolhas, mas ainda não compreende o que elas iniciaram ou encerraram.

A vida acontece em estado bruto.

A estrada ajuda a separar as camadas.

No silêncio do carro, o que era excesso começa a assentar. O que era emoção confusa começa a ganhar forma. O que era lembrança solta começa a encontrar lugar. O que era dor começa, talvez, a virar compreensão. O que era euforia começa a virar gratidão. O que era medo começa a virar movimento.

Foi isso que aquela viagem fez comigo.

Ela me deu tempo para perceber que eu não estava apenas voltando para São Paulo. Eu estava voltando para uma origem depois de ter sido alterado pelo caminho. Voltava à cidade onde nasci, mas já não cabia exatamente no mesmo molde. Voltava carregando Nordeste, estrada, encontros, despedidas, riscos, festas, silêncio, símbolos, dúvidas e uma quantidade enorme de vida ainda sem nome.

São Paulo era chegada, mas também era espelho.

Porque voltar para um lugar de origem depois de atravessar tanta coisa é estranho. A cidade parece a mesma, mas quem olha já não é. As ruas continuam onde estavam. Os prédios continuam no lugar. As referências antigas ainda existem. Mas algo em nós mudou de posição.

E aí entendemos que a verdadeira travessia nunca é apenas externa.

A estrada entre o Rio Grande do Norte e São Paulo era visível no mapa. Podia ser calculada, medida, dividida em trechos, estimada em horas. Mas havia outra estrada acontecendo ao mesmo tempo. Uma estrada interna, sem GPS, sem placa, sem previsão de chegada.

Essa era mais difícil.

E talvez mais necessária.

Ao final da jornada, cheguei a São Paulo. Mas não era o mesmo. Não poderia ser.

A transição foi mais do que física. Foi como uma mudança gradual de estação: nada muda de repente, mas tudo se transforma. A gente só percebe depois. No começo, é apenas um dia diferente do outro. Depois, uma temperatura nova. Depois, uma luz distinta. E quando se dá conta, já mudou a estação inteira.

Pegar a estrada me ensinou que não precisamos abandonar o passado para abraçar o futuro. Podemos levá-lo conosco, como uma mala cuidadosamente arrumada. Algumas coisas ficam pelo caminho. Outras seguem conosco porque ainda têm algo a ensinar.

O passado não precisa ser negado. Mas também não precisa dirigir.

Talvez amadurecer seja isso: aprender a levar o que fomos sem permitir que isso impeça o que estamos nos tornando.

A estrada é esse espaço entre uma versão e outra.

Ela não nos entrega respostas definitivas. Seria fácil demais. Ela faz algo melhor: nos dá tempo para suportar as perguntas.

E talvez seja por isso que ela cure.

Não porque apague a dor.
Não porque resolva a vida.
Não porque transforme tudo em paisagem bonita.

Ela cura porque nos coloca em movimento.

Porque dá ao corpo a experiência concreta de seguir. Porque mostra que é possível atravessar trechos difíceis, errar entradas, ficar sem sinal, pedir ajuda, continuar sem certeza, reencontrar a estrada, rir numa cidade desconhecida, parar diante de um símbolo gigante, respirar fundo e seguir.

Ela cura porque mistura silêncio, acaso, risco, festa, símbolo e cansaço até que alguma coisa dentro de nós encontre uma nova forma.

No fim, talvez o destino nunca tenha sido apenas São Paulo.

Talvez o destino fosse o tempo entre uma coisa e outra.

O tempo de estrada.
O tempo de processamento.
O tempo necessário para que a alma alcançasse o corpo.

Porque o corpo chega rápido quando a gente voa.

Mas, quando a gente atravessa de carro, a alma tem a chance de vir junto.

E, às vezes, é só isso que precisamos: não chegar mais rápido, mas chegar inteiro.

A estrada não foi apenas o caminho que me trouxe de volta.

Foi o lugar onde eu pude conversar com aquilo que estava mudando em mim.

Foi onde o 2024 começou a se transformar em memória. Onde o 2023 encontrou algum tipo de resposta tardia. Onde o 2025, ainda escuro, começou a mostrar seus primeiros contornos. Foi onde eu entendi que algumas fases da vida não terminam em uma data, nem em uma cidade, nem em uma decisão. Elas terminam aos poucos, no corpo, enquanto seguimos.

Por isso, quando digo que a estrada é terapia, não digo como metáfora bonita.

Digo como quem viveu.

Digo como quem passou horas demais sozinho para continuar se enganando.

Digo como quem se perdeu em estrada de terra, dormiu em pousada antiga, subiu na Carreta Furacão, parou diante de um Buda gigante e voltou para a cidade onde nasceu carregando um país inteiro dentro do peito.

A estrada não me deu todas as respostas.

Mas me devolveu movimento.

E, naquele momento, era disso que eu precisava.

— continue acompanhando —

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